
Grazi-Sensei

Escrito em 4 de novembro de 2005
Hoje estava a "jogar palavras ao vento" com minhas amigas... E as conversas assim, jogadas ao léu, sempre percorrem caminhos diversos e sempre estacionam em assuntos jamais imaginados quando iniciadas...
Começamos com nem lembro mais o que e quase terminamos com confidências íntimas de uma de nós... Essa não era eu... Quem sou eu pra ter esses tipos de confidências a fazer... Na verdade, até tenho uns segredinhos um tanto apodrecidos de muito tempo atrás, mas nunca os contei a ninguém, acho que nunca vou contar. Eles permanecerão a 7 chaves dentro da Caixa de Pandora da minha mente cansada...
Hoje eu voltava da faculdade num ônibus lotado, como habitualmente, e até pensei em me abrir e contar a uma dessas amigas esse ocorrido dos meus anos verdes. Por incrível que pareça, a aventura de caráter sexual mais emocionante da minha vida se passou quando eu tinha apenas 11-12 anos e o mais estranho disso tudo era a falta de consciência que eu tinha na época. Não que eu fosse inconseqüente... Nada disso... Eu era apenas inocente demais e não sabia o que estava fazendo...
Ah... Falando assim até parece que eu comi a maçã do Pecado, como a Eva no Jardim do Éden... Não... Nada disso... Não cometi nada que infringisse a minha pureza e santa castidade (!) que hoje em dia nem tem mais valor...
Diferentemente das garotas de 12 anos de hoje, eu era extremamente ingênua e pura... Eu era criança (como todas deveriam ser)... Uma garotinha que nem se penteava, que odiava garotos (exceto aquele, misteriosamente) e que brincava de bonecas... Aliás, eu brinquei de bonecas até os meus 14 anos, com orgulho...
Triste é ver as crianças de 6-7 anos hoje em dia brincando que são chefes de uma "boca de fumo"! E garotas de 10 anos engravidando!
Não perdi nada sendo assumidamente uma criança até os meus 14 anos, pelo contrário, acho que sou o que sou por ter aproveitado ao máximo o melhor período de minha vida... Acho que se não fosse a pressão da sociedade (e das amigas apressadinhas que já tinham até namorado) eu acho que teria brincado mais tempo ainda com as minhas bonequinhas de todos os tamanhos e cores...
Mas eu não podia, afinal, minha festa de 15 anos estava chegando! Eu já era uma mocinha! Eu tinha que deixar de ser virgem de boca! Ai, como me doía os sermões de minhas primas, amigas e colegas de escola... Eu não queria deixar de ser criança, eu gostava e não me importava com nada (fiquei até sabendo que uma das pessoas em quem eu mais confiava andava falando mal de mim pelas costas!). Eu era uma criança e de certa forma ainda sou!
Elas que aos 13 anos se gabavam de já terem "ficado" com pelos menos uns 5 garotos, e minha lista ainda estava no zero... Mal sabiam essas antigas amigas e primas que, apesar de ainda não ter beijado ninguém, eu já havia cometido atos que sei que até hoje elas ainda não experimentaram... Quando foi que deixei de ser BV como elas depreciativamente me chamavam? Aos 14 anos dei meu primeiro beijo... E que sensação esquisita, que coisa mais estranha... Apesar de relutar em sair da infância, nesse momento eu quis crescer... E cresci... Hoje, aos 19, nada de muito extraordinário me aconteceu mais...
Hoje eu continuo crescendo, mais intelectualmente do que afetivamente - fato do qual me orgulho. Prefiro colecionar nomes de livros lidos a nomes de garotos idiotas com os quais certas garotas se envolvem só pra acrescentar mais um à sua listinha pessoal...
Continuo tendo meu lado infantil com minha paixão eterna por desenhos animados, parques de diversão e guloseimas que permearam a minha infância... Penso em como meus filhos se divertirão comigo, mesmo que isso seja um plano para um futuro bem distante...
Espero calorosamente que quem vier a se interessar por mim, que me ame por inteira, que também tenha um lado infantil e goste deste e dos meus outros lados sombrios que oculto... Não sombrios de tristes, mas sombrios de desconhecidos... Nem mesma eu sei como eles são... Quem sabe uma parte de mim seja bem erótica e selvagem, ou romântica e carinhosa, ou sexy e inovadora ou tudo isso junto... Sei lá... Não tive oportunidades de explorar esse meu lado... Nunca amei de verdade homem algum, embora já tenha sustentado muitas paixões por belos homens (pelo menos aos meus olhos: isso une exterior e interior, este último principalmente) que passaram por meu caminho... Ah e eu não gosto de amores platônicos... Talvez porque eles já tenham enchido demais a minha vida...

Já são quase 19 horas e a luz do sol ainda insiste em entrar pela minha janela a fim de tentar clarear a minha mente obscura. Sorrio disto.
Tédio irritante... e a noite que não chega...
... "À noite todos os gatos são pardos"...
Vontade de gritar, de arrebentar tudo, de sair correndo, de dormir uns 5 dias direto.
Vontade de abrir um livro de fantasia, um conto de fadas qualquer e mergulhar de cabeça dentro dele, fazendo-o de moradia para minha alma.
Vontade de não ser eu...
E eu me odeio por pensar isso...
Que vou fazer? Não sei...
Talvez esperar pela meia-noite: essa linha do tempo invisível que me transporta pra longe...
E, trancada aqui no meu quarto, no castelo da Rapunzel, eu jogo minhas tranças pela janela e espero meu Príncipe Encantado subir por elas, mesmo sabendo que tal homem não exista.
30/06/2008: lendo isso para republicar, senti-me na obrigação de fazer uma correção: príncipes encantados de fato existem. Não sei se são muitos, mas se for um só, sinto dizer-lhes, meninas, que ele já é meu!

"Apesar de o corpo confinar-se num só planeta, sobre o qual se arrasta com sofrimento e dificuldade, o pensamento pode transportar-nos num instante às regiões mais distantes do Universo, ou mesmo, além do Universo, para o caos indeterminado, onde se supõe que a Natureza se encontra em total confusão. Pode-se conceber o que ainda não foi visto ou ouvido, porque não há nada que esteja fora do poder do pensamento, exceto o que implica absolutamente contradição".
(HUME - Seção II - Investigação sobre o entendimento humano)
Sim, o pensamento pode transportar-nos desse mundo "ordinário" onde a todo tempo as pessoas ferem-se umas as outras (não só fisicamente, mas emocionalmente) para um mundo harmonioso e silencioso, que é o mundo dos nossos sonhos... Meus queridos sonhos que me embalam noite e dia e que nunca me deixam perder as esperanças, por mais ínfimas que elas sejam...
Bendita seja a capacidade de sonhar...
Essa frase (entre aspas) acima, é uma das muitas que eu tenho arquivadas no meu computador. Quando leio algum livro e acho algo extremamente interessante, meus dedos começam a coçar e não param enquanto eu não anoto a frase...
Isso não acontece apenas com frases de livros, mas de todo e qualquer lugar:
"Saudade é aquilo que fica enquanto o tempo vai..."
É incrível como a gente às vezes sintoniza o rádio na hora certa... Eu ouvi isso no Good Times. Simples e verdadeiro.

Publicado em 15 de janeiro de 2006.
É incrível como os sentidos conseguem influenciar tão absolutamente os nossos sentimentos.
Como me inspira felicidade o cheiro de uma rosa, uma linda rosa amarela que se abriu no meu jardim (de verdade)! Como meu coração bate feliz quando sinto um perfume que me lembra alguém querido!
Sensações, emoções... Imagens que nos fazem chorar, que nos fazem sorrir... Combinações de cores que nos levam ao êxtase (como nos filmes de Almodóvar, amo seus vermelhos vivos!). Eu amo fotos, imagens. Imagens como a que eu vi hoje na capa de um livro de Antropologia: uma mãe indígena, em cujo colo enfeitado de panos e contas coloridas repousava seu lindo bebê, com sua cabeleira negra e espessa pendendo de sua cabecinha curvada e sonolenta... Nem sei o motivo ao certo, mas as lágrimas ensaiaram sair por meus olhos iluminados pela beleza daquela imagem.
Propagandas de Natal me emocionam, ao menos aquelas de uns anos atrás. Hoje elas ficaram tão banalizadas e voltadas para o consumismo que ganharam um tom ridículo. Mas nem mesmo essa sua banalização conseguiu apagar a magia que sentimos nessa data tão especial. Magia que exala no ar de Dezembro...
Sabores... Como explicar a sensação e sentimento ao saborear algo delicioso? Um conforto me enche o coração quando eu como algo preparado por minha querida avó, como se eu ouvisse uma canção de ninar e os ecos do passado. Mas ninguém nunca cozinhará melhor que nossas mãezinhas (ou quem faça seu papel).
Sentir... A água morna que escorre pelo corpo debaixo do chuveiro, um abraço apertado em quem se ama...
Sons... Ah os sons... Minha alma chora ao ouvir o som das gotas de chuva no telhado, na janela, no quintal... Não um choro triste, mas um choro de alguém que se emociona ao ouvir o som que mais lhe proporciona paz e conforto nesse mundo. Trovões. É estranho, mas eu amo o som do trovão, minha alma estremece junto a ele e segue-se um sentimento tão bom... Ah que delícia o silêncio que nasce junto de uma bela manhã fria... E que paz os cantos dos pássaros nos trazem junto a uma manhã quente... A agitação que invade o mensageiro dos ventos pendurado em minha varanda enche a casa de cantos celestiais...
Há várias músicas que causam em mim uma dormência na consciência, de modo que eu não consigo fazer mais nada, apenas ouvi-las: com os ouvidos, com o coração e com a alma. Músicas que eu admiro e que causam em mim uma conjunção dos melhores sentimentos: Concerning Hobbits e Council of Elrond (Howard Shore - Soundtrack - The Lord of the Rings: The Fellowship of the Ring); Creek Mary's Blood e Dead Boy's Poem (Nightwish - Tuomas Holopainen); Now we are free (Hans Zimmer - Enya - Soundtrack - Gladiator).
Enfim, sentidos: que bom senti-los.





Publicado em 8 de janeiro de 2006.
Dia 12 de outubro, já passava da 1 hora da madrugada quando o ônibus da excursão partiu da Praça 7, em Belo Horizonte, rumo à São Paulo. Chegamos ao Canindé por volta das 10 horas da manhã. Que os paulistas me perdoem, mas, como disseram alguns colegas da excursão, a Lagoa da Pampulha (em BH) é até cheirosa perto do Tietê!
Almocei no Shopping D e às 13:30, ao perceber que o Show já havia começado, corri para o portão da Marginal. Que chatisse, não podia nem entrar com garrafa de água! Lá dentro do estádio, o copo de água mineral variou de 2 a 3 reais! Mas, ou comprávamos, ou morríamos desidratados. O sol estava insuportável! Ainda bem que compramos protetor solar...
Achei super legal quando descobri que o TUATHA DE DANANN é da cidade de Varginha, aqui em Minas Gerais. O show deles foi excelente, apesar de eu ter perdido a 1ª música e os "caras do som" terem cortado a última música no meio porque o tempo tinha acabado (!!!). Depois foi a vez do DR SIN. Nessa hora, sinto muito, eu fui sentar na sombra da arquibancada, que mesmo assim estava pegando fogo. Apesar de ter assistido à distância, foi um show muito bom.
A banda seguinte foi a finlandesa THE 69 EYES. Eu já havia "baixado" umas músicas deles na internet e tinha achado bom. Mas pelo show eu mudei de opinião: eles não são bons, são ótimos! O baterista arrasou! Todos eles arrasaram! Uma banda com muito estilo...
Qual banda veio depois? Ah... Acho que foi o DESTRUCTION (que substituíram o Testament). Mais um show excelente.
A próxima a tocar foi o RAGE que também arrasou e em seguida foi a vez do SHAAMAN. Eu não curto muito o Shaaman, mas confesso que o André Matos arrasou, ele canta pra c$#@*#!!!
O momento seguinte foi o mais esperado para mim, o show do NIGHTWISH. Só uma coisa me chateou: eu passei mal lá na frente e tive que ser tirada de lá, um bombeiro me puxou e me tirou pela grade. Bom, a solução foi assistir um pouco mais de longe, mas o importante é que eu sobrevivi, porque lá na frente estava insuportável: um calor do cão, uns caras gigantes tampando meu campo de visão (eu sé tenho 1,63 de altura) e uma falta de ar terrível que me fez o estômago doer. Mas o show foi perfeito... 1ª música: DARK CHEST OF WONDERS. E uma surpresa que não estava no set list que eu havia pegado na internet: tocaram PHANTON OF THE OPERA! Foi simplesmente perfeito! Mas o que eu achei lindo foi a Tarja se emocionando em KUOLEMA TEKEE TAITEILIJAN, em meio a nossos aplausos e gritos de entusiasmo... Pelo telão dava pra ver uma lágrima no cantinho de seus belos olhos... E o que dizer do Tuomas? O meu maior ídolo, a alma do Nightwish... Ele estava perfeito, um arraso nos teclados... Com seu cigarro, sua garrafa de vinho e sua magia... Como esquecer o sorriso de T. Holopainen? Impossível... Nem precisa elogiar o meu querido Marco, o Jukka e o Emppu que seria muito redundante... Os caras são demais! Jamais esquecerei esse Show, e só espero que, depois da pausa de quase 2 anos do Nightwish que vem aí pela frente, eles retornem à Belo Horizonte na próxima turnê.
Show do SCORPIONS: sem palavras, foi memorável, inesquecível, perfeito! O solo de bateria foi o melhor que eu já vi... E no cantinho do palco lá estava Jyrki ( do 69 eyes) vibrando com o Scorpions e tirando umas fotinhas do show. E por falar nisso, durante o show do The 69 Eyes, eu dei uma leve olhadinha para esse mesmo cantinho do palco e lá estavam Jukka, o simpatissíssimo Marco e o Tuomas assistindo o show. Meu coração quase saiu pela boca, afinal, era a 1ª vez que eu os via "ao vivo". Nem sei se isso parece idiota, mas depois de tempos viciada no DVD From Wishes to Eternity e ouvindo os CDs, parecia algo surreal estar vendo esses meus ídolos de frente, ali na minha frente...
Resumindo, o Live 'n' Louder foi quase perfeito (seria perfeito se o sol não tivesse nos castigado)! A viagem de 9 horas valeu a pena, a grana foi bem gasta (pelo menos uns 20 reais só em água) e tomara que isso tudo se repita, que venha mais um Live 'n' Louder!


Hiatus.
Mas volto em breve.
